vendredi 12 janvier 2018

Bibliografia de Alberto Velho Nogueira

Autofagias 
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Genuína zona da língua
Lüpertz/Território
Hotel am Zoo
 

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Desabitada
I’m so happy
Homem morre
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Função do dia: Pentearem-se 
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Anu Cobra
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Sacos + Bóias crocodilos
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Cabeça-Pião no *Imbiss*
[Stilleben] 
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Foto do Die Zeit
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Lapin Sósia
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Teatro
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Brilhantes
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Lacada – Chocolatier 
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Câmara Escura
(Black Box)

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Grafites – Rougets
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De Cabeça Para Baixo
Noli Me Tangere 
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Medeia/Ifigénia
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Cromos - Epigramas
    Totenbildnis
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Sanguínea
    Atlas  
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Veduta - Hörspiel
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Análise
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Plaatz!
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vendredi 27 octobre 2017

Appendice - La musica suprema. Musica e politica - Apêndice da obra "Che cos'è la filosofia", Giorgio Agamben - Quodlibet, 2016 - A territorialidade da música (das músicas) e a sua função política - O uso da língua e a sua relação com os leitores 123

Modificado a 1 de Novembro de 2017.
Giorgio Agamben utiliza uma expressão geral - a música - para sobre ela traçar algumas ideias que clarificam a sua posição sobre a relação, histórica e actual, do que é a música na sua relação com a sociedade e, sobretudo e principalmente, com o político, derivando, de qualquer modo, para o social e para a formação mental dos habitantes, da população; para isso, Agamben foi procurar a argumentação em Platão da qual farei algumas citações para clarificar o que o filósofo italiano quis dizer sobre esta relação. Mas, logo de início, se põe um problema, não especificado por Agamben de maneira clara, muito menos de modo actualizado: a expressão música é um substantivo abstracto; a sua explicação-definição não está no texto; Agamben utiliza a palavra de forma generalizante. Não se pode, hoje, servir-se da argumentação de Platão, a não ser por motivos de História da filosofia, para justificar as atitudes e as relações entre a música e a política - o político -, embora se saiba que qualquer elemento de expressão (artística) tem a sua relação evidente com o social, com o territorial que os códigos, particulares ou generalizados, exprimem e que as expressões são localizações simultâneas do que se diz e do que se exprime, tendo em conta que os agentes expressivos se coordenam, dentro do código utilizado, e procedem a uma leitura que corresponde, na medida do possível, ao uso do código escolhido e à maneira como esse código é utilizado pelo agente expressivo, partindo do princípio que os códigos expressivos - da música, da pintura, do vídeo, da língua literária (já que estamos só a falar do expressivo e não de qualquer outro uso da língua como, por exemplo, da linguagem que chamo de "contrato"; e que a ideia de literário cobre todas as formas de expressão que utilizam a língua como código) da banda desenhada... de todas as formas de expressão que conhecemos e que não são limitadas nem limitativas. A justificação de que a música tem influência directa no político - é uma proposta de discussão que aceito perfeitamente; acrescentarei a esta aceitação o que penso - é uma condição, entre muitas, do que é ser-se expressivo e querer fazer entrar a expressão "artística" nos mercados do expressivo ou do que é hoje considerado o mercado do expressivo condicionado pela orientação financeira das expressões que são levadas, voluntariamente ou não, para o campo pós-industrial da produção e para a noção de rentabilidade que as expressões, musicais ou não, no tempo de Platão, não poderiam ter do mesmo modo; a rentabilidade seria uma operação que levaria os entes expressivos a outras considerações territoriais e de alargamento mental que nada têm a ver com as condições de hoje. A noção prioritária das expressões que hoje consideramos é a de não poderem escapar ao que se "manipula", ao que se espera que elas representem para maior benefício dos investidores, sejam eles os soi-disant artistas, eles próprios, ou os editores que os editam, ou e simultaneamente, os mercados da unidade-única (pleonasmo voluntário) que são os mercados da arte pictural e das performances únicas, por exemplo, e as suas consequências actuais - o vídeo, a performance, a performance musical, as actividades que dizem respeito a uma actividade que se representa numa realização única, mesmo que repetitiva - a representação teatral de hoje não é a mesma amanhã, mesmo se a peça de teatro continua a mesma -  ou quase única... ou de tendência para a unidade (é o caso da reprodução de gravuras, de serigrafias... que os pintores produzem, tendo em vista uma série "limitada" (!?) de "unidades" (!) -, e os mercados da auto-produção... Todos os sistemas de produção expressiva têm em consideração a existência de mercados, de populações, de territorialidades, de instituições, de valores considerados académicos, baseados nos cânones e em tudo o que diga respeito à apreciação institucional do que é o expressivo, interessante ou não, comercial ou autónomo; a dependência do expressivo está à vista, salvo que o "artista", seja ele de qual terrreno for, pode limitar os riscos e os "dégats" fazendo com que a sua expressão seja autónoma, dentro do que é a impossibilidade de tratar de tudo e de todos os elementos, seja qual for o código expressivo utilizado; os códigos são aparelhos que o "artista" trata dentro dos limites: a) dos códigos expressivos, b) dos limites impostos pela sua relação aos códigos, tendo em consideração, também, c) o facto de que o cérebro não transmite, através do uso, consciente ou inconsciente, dos códigos, uma "totalidade" mas sim uma parcialidade que se contrói e se propõe, denotando a co-existência do imperfeito, do inacabado, do defeituoso, não como características "anómalas e doentias" da obra mas como características irrealizáveis que qualquer obra transmite ao observador, por mais interessante que pareça e seja; a impossibilidade de uma totalidade é a característica da obra expressiva que se diz autónoma - não digo verdadeira, por ser uma noção que nada acrescenta à realidade da realização artística como uso da capacidade expressiva de um agente expressivo, de um "artista" que utiliza um código expressivo dentro do rigor necessário à consideração do facto expressivo, aqui considerado e isolado de outras funções eventuais dos códigos em questão; de entre os códigos, o da língua é o que traz maiores problemas por ser um código ligado ao uso quotidiano e em circunstâncias diversas das do acto expressivo que se realiza com o código linguístico: a palavra tem a sua territorialidade actualizante, e permanente, que serve de veículo a todas as actividades humanas que tenham como probalidade e intencionalidade a comunicação e a compreensão do que, dentro do social, compreende a controvérsia de ideias, de pontos de vista, até à legiferação, até ao ponto de Agamben - e de Heidegger, sobretudo do Heidegger da obra "Acheminement vers la parole", Gallimard, Tel, tradução de 1976, edição de 2014 - até ao ponto de Agamben colocar em Platão a questão da palavra e da música na sua referência ao político, e, a partir daí, desta territorialidade, e do uso que a sociedade ateniense fazia da música e da relação com a política, fazendo um "racourci" para justificar como a música interfere na política. Agamben propõe "a música" como uma ideia geral; no apêndice ao livro citado, o filósofo não separa a música das músicas; para ele, a música é uma só, um existente que se comporta de modo específico, e que comprova que se perdeu o efeito musaico (de Musa) e que, a partir do ponto histórico sem a influência "musaical", e, portanto, sem musicalidade - de novo um termo não explicado -, a expressão musical não só não responde ao produzir politicidade valorizativa mas também contribui para o afastamento da "musaicidade", de modo a criar uma expressão que, paradoxalmente para Agamben, se bem que o filósofo não o indique, propõe uma política embora uma política deficiente: a música - sempre este substantivo abstracto - está, portanto, isolada num comportamento que não tem a sua origem na Musa; esta forma de expressão afasta-se da origem musaicamente determinada, segundo Platão, e de Platão até hoje, e segundo Agamben: "Poiché l'eclisse della politica fa tutt'uno con la perdita dell'esperienza del musaico, il compito politico è oggi costutivamente un compito poetico, rispetto al quale è necessario che artisti e filosofi uniscano le loro forze. Gli uomini politici attuali non sono in grado di pensare perché tanto il loro linguaggio che la loro musica girano amusaicamente a vuoto. Se chiamamo pensiero lo spazio che si apre ogni volta che accediamo all'esperienza del principio musaico della parola, allora è con l'incapacità di pensare del nostro tempo che dobiamo misurarci. E se, secondo il suggerimento di Hannah Arendt, il pensiero coincide con la capacità d'interrompere il flusso insensato delle frasi e dei suoni, arrestare questo flusso per restituirlo al suo luogo musaico è oggi per eccellenza il compito filosofico.", pp.145 e 146, páginas finais do apêndice. Estou de acordo com esta última proposição, embora não veja que uso se poderá fazer da presença do musaico na palavra e na música que daí deriva, segundo o que nos diz Platão pela interpretação de Agamben. O musaico é uma influência que tem em vista um efeito histórico da interpretação de Platão que corresponde à noção que poderia ter da sua época, e à sua visão filosófica, que dificilmente se colocará hoje como princípio de análise do que é a música, sobretudo se não se define o que se entende por música, termo usado na sua substancialidade comum e geral sem que haja separação entre as músicas, que hoje são vastas, múltiplas, complexas, muito mais complexificadas do que era a música - ou já as músicas, no plural - na época de Platão. Nada tem de comum a música que Agamben, pela via de Platão, usa como ideia, em relação ao que se realiza, musicalmente falando, hoje e nas épocas recentes, no que diz respeito à passagem das músicas pelo corpo social, sobre o seu conteúdo litúrgico para um conteúdo profano e sobre a "savantização" realizada através do desenvolvimento da estética e da filosofia da estética que vieram clarificar, na medida do possível, o que se entendia por música "savantizada" e só por música "savantizada", na medida em que as músicas tradicionais, por mais "realistas" e "exactas" que são ou tenham sido, não tiveram, a sustentá-las analiticamente, um aparelho crítico e analítico que as analizasse e lhes fundasse uma evolução possível; e que essa evolução só seria possível se a tal análise crítica existisse; portanto, as músicas tradicionais ficaram sempre ligadas a uma exactitude e não a uma possível evolução-transformação-adequação às épocas, como as expressões "savantizadas" foram, de modo a encontrarem uma correspondência proeminentemente efectiva entre a linguagem - no sentido de linguagem musical, e não de uso da palavra, como Platão entendia, segundo Agamben tenta dizê-lo neste apêndice e na totalidade do livro -, e a política. A ligação entre política, sociedade e expressão está e esteve sempre presente; esta relação é só mais eficaz e mais notória nas expressões "savantizadas" por serem elas as que procuraram um vocabulário de compreensão e de estudo que as expressões tradicionais - não só a músical - nunca tiveram; as músicas "savantizadas", como todas as expressões que tiveram o mesmo percurso de análise e de crítica, criaram uma evidência relacional que as outras expressões, as não "savantizadas",  em todo o caso nunca perderam: só que não se fez a análise dela e das expressões tradicionais não "savantizadas", embora o grau de relação fosse visível - mas sem atingir o mesmo grau de complexificação; em todo o caso, uma expressão tradicional escocesa, por exemplo, não tem nada a ver com uma expressão tradicional pigmeia, as duas realizadas na mesma época; salvo que a noção de época depende dos parâmetros históricos e do grau de visão e de visibilidade que as expressões puderam obter - aqui e ali - segundo uma territorialidade do som (equivalente, sem ser igual, à palavra) e da composição (equivalente, sem ser igual, ao discurso) que nada têm a ver. A territorialidade e a temporalidade são dados de qualquer expressão, artística ou não. Se ambas as expressões citadas são expressões tradicionais, se ambas se reflectem no uso do som e na realização da continuidade sonora que se chama discurso sonoro, a tradicionalidade não é a mesma, embora haja, como em todas as expressões humanas, motivos e compreensões mútuas do que é o expressivo e como se realiza a expressão, independentemente do facto de umas serem tradicionais, generalizadas, colectivas e, portanto, não individualizadas e sem perspectiva de evolução - não digo de melhoramento, na medida em que a ideia de melhoramento não é significativa do que se modificou - e se modifica - nas expressões artísticas e no que elas exprimem de adaptação-modificação-renovação das linguagens em relação às épocas. As expressões tradicionais são expressões como as outras; só que as considero "expressões pobres": e dou aqui a explicação do que é uma "expressão pobre", apesar de tê-la dado em vários artigos: "expressão pobre" é aquela que não tem ao seu serviço uma teorização do que ela é e como se comporta em relação a si própria e em relação ao social de que depende e de que é significativa, por estar em relação permanente com ela própria e com o social que a "fabrica". (Não se pense que as "expressões pobres" são efectivamente "pobres" em qualidade expressiva; não, são "expressões pobres" por não terem tido o suporte analítico que as defendesse, um aparelho crítico constituinte de valor (de valores), de normatividades, um aparelho que facilitasse a individuação, o aparecimento de um "agente expressivo" que se salientasse do grupo e que criasse um modo próprio e original de exprimir-se pela distanciação em relação ao código). Esta relação com o social e com a política - e com o político - é evidente, embora as "expressões tradicionais" só muito tardiamente - e na Grécia sucedeu o mesmo - é que foram analisadas e que se pensaram os comportamentos, e não só, por não ser só o aspecto comportamental que interessa verificar nas "expressões tradicionais", mas todos os seus aspectos, em todas as eventualidades possíveis. As expressões "savantizadas" tiveram essa regalia que lhes atribuiu sobretudo valores, colocando-as - e, de facto, os valores são efectivamente verificáveis, por terem tido um aparelho crítico à disposição, por várias razões que aqui não analiso - num plano superior, mesmo ao nível expressivo; não só ao nível conceptual ou de evolução da ideia de música. As expressões "savantizadas" criaram valores e são esses valores os que Agamben determina ligados à actividade "musaicamente" determinada pela presença das Musas? Ou não quer determinar qual a música de que fala, se bem que lhe faz referência como uma expressão alienante, sem a presença vivificadora das Musas e que corresponde a uma política de baixo nível, nada democrática nem consciente. A música a que Agamben faz referência pertence a várias propostas musicais a que assistimos hoje; a territorialidade das músicas nada tem a ver com a impressão necessária que Platão anuncia e enuncia na relação entre música e política, correspondência que seria interessante para Atenas e para o filósofo ateniense mas que nada têm a ver com a divulgação, a difusão e as normas de difusão, com a reproductibilidade do som, e a indústria que daí proveio, e outros aspectos que têm a ver com a territorialidade do som e da palavra, da política e do social, hoje determinados de tal modo por razões complexificadas e várias, muito diversas das do tempo de Platão, que é impossível falar a) do que pensou Platão e de aplicá-lo aos dias de hoje, no que diz respeito à música e dentro da referência à política, b) de explicá-lo à luz do "musaicamente" musical da palavra e do sonoro, e c) só ter em conta a "música" na sua terminologia única substantiva e absoluta, sem caracterizar o que quer dizer "música" - e o que quer dizer "palavra", já que o que significa política é mais afirmativo e singular, embora também haja equívoco se não se dá uma maior explicação do que sejam a política e o político. A política - e a influência com que os elementos sociais criam o mental de hoje - deverá ser definida de outro modo: mais aberta e ambiciosamente; por outro lado, outros elementos, não necessariamente ligados à expressividade dos códigos, são hoje elementos que não existiam no tempo de Platão e que movimentam, de qualquer modo, a intencionalidade mental de um grupo social, de uma população, de uma sociedade, de uma globalidade. O assunto da "fabricação do mental", social e individual, é um dos pressupostos mais interessantes a analisar, hoje, sendo que, pondo de parte os modos expressivos, outras formas de exploração humana apareceram e têm tanta força de fabricação do mental como as expressões consideradas artísticas; o que sucedeu a partir do romantismo e da evolução das sociedades para uma confortável percentagem de agentes alfabetizados foi a crescente importância do expressivo -e não só do expressivo - nas sociedades que ganharam tempo disponível e que conservaram a ideia de formação, de informação e de expressão, tendo esta última sofrido um total abandono, sobretudo a partir das modernidades: os actos e os artefactos artísticos foram postos nas mãos dos conhecedores, dos especialistas... a tal ponto que os públicos em geral, os habitantes, as populações... (para falar de diversos pontos de vista de análise) seriam os primeiros a proibir, a destruir, a eliminar os artefactos expressivos, tal a diferença mental entre eles e esses artefactos, que desconhecem, que nada lhes dizem, que não obtiveram da parte dos elementos estranhos ao mundo da expressão uma correspondência, uma aceitação ou uma compreensão; entretanto, as sociedades evoluíram para situações comerciais, chamemos-lhes assim, por agora e para facilitar a argumentação (facilitar?), que formaram expressões mais sujeitas às leis dos mercados do que às necessidades expressivas. As "expressões populares", as que derivaram das expressões tradicionais e que mudaram de territoriadlidade, a maior parte saindo do rural para encontrar as condições - más condições de produção, condições falsificadoras, renovadoras sem aspecto crítico, desvios forçados pela substituição territorial, sem exactidão expressiva - sem exactitude expressiva - transformadas pelas indústrias que fizeram delas um substracto sem intencionalidade aparente (ou mudando a intencionalidade original), "musaicamente falando", se se quiser utilizar o termo de Agamben - só o termo no que ele significa de aproximação ao mais natural, não às Musas que serviram os interesses de Platão, mas que não servem os de hoje, se se imaginar que o musaico é o autêntico ou o que representa uma autenticidade quando o musaico é um critério - uma ideia - que subscreve ao que se entendia por influência das Musas, quando as Musas não têm nenhuma presença actual nas expressões, e não é por isso que as expressões - e aqui falo das expressões autónomas - não estão ligadas a uma intencionalidade que procura a concentrização da relação entre o "artista" e o código utilizado, de modo a fornecer, com o artefacto, uma realização que determine uma abertura do mental e não uma sujeição ao material redutor e politicamente orientado, para fazer do social um corpo subjugado. Platão deveria ter em vista uma autoridade do musical para estabelecer, já na sua época, uma ligação política entre música e política quando as expressões autónomas - e não seria o caso das expressões atenienses - são as que propõem um político diverso e não uma política; sendo o político uma actividade mental que nada aproxima o artefacto de qualquer intencionalidade superior e, muito menos, transmitido pelas Musas ao (pobre) agente expressivo que teria como função a transmissibilidade imperfeita, redutora da linguagem transmitida pelas Musas, embora as expressões autónomas - e só as autónomas que queiram transmitir o imperfeito, o irregular, o inacabado, o não realizado; a obra chamada de arte é uma tentativa, um esboço, uma irregularidade parcial em relação ao que o cérebro capta; e só dentro da noção cerebral é que está a obra de expressão; se se chama Musa a essa dependência-ligação do uso do código ao cérebro é por sermos agentes imperfeitos que não captam a totalidade "impressionável" que o cérebro contém; é por sermos precisamente agentes expressivos e, na expressividade, está a irregularidade não submetida às eventuais Musas. Onde estão as Musas, como se comportam? São vestais? Aparecem de manhã, à noite, são fantasmas? O que é a musaicidade? E a musicalidade? A origem é importante para Agamben, como para Platão - sendo a origem, para Platão, uma intensidade que, para nós, não representa a mesma potencialidade, por termos conhecimentos mais vastos que abriram os horizontes e que afastaram as ideias fundadoras da política e da filosofia de Platão, apesar da sua inevitável e indiscutível qualidade e importância histórica. A origem é importante para Heidegger que muito influenciou Agamben, não na argumentação, mas na maneira de abrir-se à terminologia, ao etimológico, no sentido de etimologicamente procurar-se a origem, mais uma vez a origem e só a origem, como se a origem fosse a prova da certeza, da verdade - e sabemos, pelo exemplo de Heidegger, que a preocupação da origem, do original (do originel), não impede a formulação de ideias políticas pró-nazis e de ideias antissemitas que, apesar de toda a preocupação sobre o original e a origem da palavra, não na sua relação etimológica mas na sua constituição mítica de origem divina - veja-se o livro citado de Heidegger e os recentes "cahiers noirs" - determinam um pensamento rígido que se confronta com a etimologia original da palavra e da relação entre a palavra e a criação artística, sendo a palavra considerada, tanto por Agamben como por Heidegger, uma origem que o medium artista capta a partir do que lhe é dado saber e poder transmitir, sem que haja da sua parte uma autonomia. Estranho posicionamento quando Agamben conclui este seu livro com a transcrição das páginas 145 e 146 que citei acima, e onde cabe ao político, ao artista e ao filósofo uma consciência e uma responsabilidade. Só que Agamben vai na sequência de Heidegger e quer ver na palavra "musaicamente" dita um princípio mítico da formação e da existência da palavra, sobretudo da palavra poética, mesmo se se entende, como os idealistas alemães o disseram, que o poético e a idealidade da palavra tinham a ver com a prosa e não necessariamente com a poesia - ou só necessariamente com a poesia. Por outro lado, Agamben considera, como outros antes dele, que a música contém e corresponde a uma emotividade diversa e que as outras formas de expressão não teriam nem o mesmo nível nem a mesma intencionalidade (cf. Schopenhauer, Hegel; e, no sentido contrário, Adorno): "Per questo alla musica corrispondono necessariamente prima ancora che delle parola, delle tonalità emotive: equilibrate, coraggiose e ferme nel modo dorico, lamentose e languide nello ionio e nel lido. Ed é singolare che ancora nel capolavoro della filosofia del'900, Essere e tempo, l'apertura originaria dell'uomo al mondo non avvenga attraverso la conoscenza razionale e il linguaggio, ma innanzitutto in una Stimmung, in una tonalità emotiva che il termine stesso rimanda alla sfera acustica (Stimme è la voce). La Musa - la musica - segna la scissione fra l'uomo e il suo linguaggio, fra la voce e il logos.", pp.137 e138. (Os itálicos são de Agamben). Outra citação característica: "I Greci sapevano perfettamente ciò che noi fingiamo di ignorare, e, ciò, che è possibile manipulare e controllare una società non soltanto attraverso il linguaggio, ma innanzitutto attraverso la musica.", p.140. Ninguém ignora que os elementos emocionais e expressivos, como outros elmentos, d'ailleurs, podem e influenciam soberbamente o social mental, o individual mental. Todos sabemos; mais uma vez Agamben refere-se à música sem distinção como se a música de hoje e de Atenas fossem identidades comparáveis e como se o emotivo de hoje se pudesse comparar com o de Atenas e com o uso da música como formação do político, no sentido educacional, manipulador e controlador - exactamente - salvo que a manipulação de agora e o controle de hoje nada têm a ver com as modalidades pensativas de Platão. O que as expressões condicionam é um processo conhecido; só que a) os políticos de um lado, b) os próprios artistas de outro, e c) as condições de produção do expressivo caíram num estatuto que se separou, na sua grande maioria do expressivo autónomo, se bem que haja, em todos os campos, e não só na música, expressões autónomas que não tendem a manipular nem a controlar o social, o político ou o mental, social ou individual. As músicas são múltiplas se bem que não sejam - muito longe disso - sempre plurais e autónomas. A história das expressões ocidentais esteve ligada a estruturas mentais de condicionamento que se criaram, precisamente em Platão e nas correntes de filosofia estética que se desenvolveram desde a origem platónica até hoje. O que não quer dizer que não se faça um estudo - é o que Agamben faz - do que foi o pensamento original e "originel" de Platão, e de toda a filosofia ocidental. Aplicar a relação da música à política, como se desenvolvia esta relação no tempo de Platão, e compará-la ao que se passa hoje, é redutivo e nada significa, sobretudo se se deixa o termo "música" etimologicamente fechado e obscuro, criando assim a ideia de que a palavra, o som e a própria filosofia têm a sua origem nas Musas e no uso da palavra que vem de um determinativo ausente do humano e que o humano - o sein de Heidegger - se apercebe desta ausência como um medium se apercebe da existência de uma nebulosa que apanha distraidamente o que a Musa lhe transmite e que não considera como matéria sua mas que lhe foi transmitido um elemento obscuro de que se apercebe unilateralmente sem que tenha no seu acto uma consciência e uma responsabilidade do que exprime ao nível do sensível: "Nel medesimo modo anche la Musa riempe alcuni uomini di ispirazione divina e attraverso questi si salda una catena di altri uomini parimenti entusiasti [...] lo spettatore non è che l'ultimo degli anelli [...] l'anello di mezzo sei tu, il rapsodo, mentre il primo è il poeta stesso [...] e un poeta si aggancia a una certa Musa, un altro a un'altra e in tal caso diciamo che è posseduto [...] infatti tu non dici ciò che dici Omero per arte e scienza, ma per una sorte divina (θεία μοίρα) [...]", (Plat. Ion. 533 d - 534 c)., p.142. E noutra parte do apêndice, p.137: " L'origine della parola è musaicamente - cioè musicalmente - determinata e il soggetto parlante - il poeta - deve ogni volta fare i conti con la problematicità del proprio inizio. Anche se la Musa ha perduto il significato cultuale che aveva nel mondo antico, il rango della poesia dipende ancora oggi del modo in cui il poeta riesce a dare forma musicale alla difficoltà della sua presa di parola - da come, cioè, perviene a far propria una parola che non gli apartiene e alla quale si limita a prestare la voce." É este princípio da não pertença da palavra poética ao próprio enunciador do texto, em prosa ou em verso, que anula qualquer pretensão de autonomia, seja a palavra dada pelas Musas ou pelo divino; o modo particular como se adaptam as origens eventuais e míticas do uso da palavra ao que se pretende actualizante e politicamente interessante no sentido de uma possível abertura do mental social consciente e responsável, parece-me incompatível com esta noção de transmissibilidade do literário e do musical, neste caso, do uso e da existência da palavra, do discurso e do que significa afastar-se um "artista" autónomo do uso quotidiano do código, sem por isso procurar a leviandade das Musas e das pretendidas origens divinas do Verbo-palavra que, transmitidas por ordem superior a alguns - "... la Musa riempe alcuni uomini di ispirazione divina e attraverso questi si salda una catena di altri uomini...", p.142 - (Aqui os itálicos são meus) - transforma o artista num manipulador inconsciente que obedece ao que as Musas querem transmitir sem que tenham "un mot à dire". Ora, "le mot à dire" é o que precisamente o "artista" ou agente de expressão procura ter como processo de autonomia e não como simples medium transmissor. Transmissor de educação, de manipulação, de comunicação, de política, de formação mental orientada em relação a um fim? Um artefacto expressivo é tudo menos a sua manutenção no campo da política de gestão de uma cidade, de uma população; o seu politicamente relevante está na sua proposta de originalidade, na sua consciência, na sua responsabilidade; é nesta configuração que o "agente de expressão" actua se quer criar expressão autónoma que coincida com uma abertura do mental, de modo a ter como origem ele próprio e não a fundação do seu ser pela palavra que o determina, mas que o ser se determina pela escolha dos "actos de linguagem" que ele, ser autónomo, escolhe; na escolha está a definição do ser, ao contrário do "sein" que Heidegger evoca para a sua perseverança no "ser" que se divulga através da palavra que o precede e que o forma; ora, a palavra é formada - foi formada, é formada - etimologicamente pela necessidade de abrir e abranger outras funcionalidades particulares do "expressivo" ou da "linguagem de contrato", na medida em que o léxico não é formado unicamente pelos "agentes de expressão" mas por todos os intervenientes que sintam a necessidade de criar novos sintagmas que formem palavras que determinem formas de transmissão do conhecimento ou de expressividades novas e diversas das já existentes.
"In questo senso, lo stato della musica (includendo in questo termine tutta la sfera che imprecisamente definiamo col termine "arte") definisce la condizione politica di una determinata società meglio e prima di qualsiasi altro indice e, se si vuole mutare veramente l'ordinamento di una città, è innanzitutto necessario riformarne la musica. La cattiva musica che invade oggi in ogni istante e in ogni luogo le nostre città è inseparabile dalla cattiva politica che le governa", p. 140. Se o termo "arte" lhe parece impreciso, que dizer da maneira como utiliza o termo "música", à qual chama, neste caso, de "cattiva musica"! O que é a "cattiva musica" não sabemos, explicada pelo filósofo, se bem que sei o que é a invasão sonora de qualquer produto musical que invade os lugares, embora não haja, neste texto, nenhuma argumentação fundada sobre a "cattiva musica". Acrescento eu: é "cattiva musica" aquela que é fabricada e sustentada pelos mercados e que invade não só o espaço público mas, e principalmente, o espaço privado, e que é divulgada por sistemas de difusão de orientação global onde as músicas (no plural) são uma consequência da passagem delas ao sistema dos mercados e à ocupação de um lugar que retira a outras expressões musicais, menos "cattive", a possibilidade de aparecerem; nisto colaboram não só os mercados e as "cattive musiche" mas os sistemas de difusão que vão da Internet às emissões de rádio e de tv. Ninguém nem nada divulga as músicas (plural) que se propõem autónomas e que pretendem, como outras formas de expressão artísticas, a autonomia do observador e da sociedade na qual territorialmente e temporariamente se inscrevem. Se a "cattiva musica" influencia e se introduz nas mentes das populações isto quererá dizer que os sistemas de difusão existem e manipulam as sociedades e as respectivas populações; não é só um problema de "cattiva musica" mas um problema de difusão do "cattivo". As sociedades criam sistemas de "endebilecimento" social de modo a criar sujeitos sem personalidade que sejam só agentes de intervenção social pela compra e pela respectiva integração, alimentada pelas nocivas redes de manipulação que influem no inconsciente de maneira activa. E no consciente social. O inconsciente é manipulado antes de qualquer manipulação política - se bem que a manipulação seja também da ordem do político - pelos bens de consumo e pelo apelo ao consumo de objectos que não representam, no campo do expressivo, nenhuma capacidade de saída dos "fatalismos" dos mercados. Isto não quer dizer que haja necessidade de censurar, de abandonar, de proibir qualquer música que seja, por mais deficiente que ela seja. O arbitrário estará na resolução de censura do "cattivo". Por outro lado, se se divulga - se houvesse a possibilidade de um equilíbrio na difusão da informação do que são as músicas e o que elas representam como manipulação social - seria possível reequilibrar as disposições dos públicos, das populações. Não vejo hoje uma possibilidade de evitar o que se passa; pelo contrário, vejo que a divulgação do nulo obtém um resultado global fenomenal e que as (grandes) populações que chegaram ultimamente aos mercados da difusão do "cattivo" são as primeiras a aderir ao consumo que destrói não só os cérebros e a autonomia cerebral mas também as últimas representações das músicas e das expressões autóctones, algumas delas de carácter "savantizado", e que tendem a desaparecer, eliminadas pelos mercados preponderantes, e também das outras, de carácter tradicional - ou mesmo popular e de estruturas próprias às épocas anteriores à televisão - que desapareceram por motivos de concentração dos mercados internacionais baseados na produção ocidental de miséria "cattiva". As músicas sofrem mais do que as "expressões ricas" e para "mercados ricos", como é o caso da pintura ou dos seus sucedâneos artísticos; a obra única tem um mercado favorável ao aumento de capitais, ao investimento durável e às acções individuais dos compradores, institucionais ou não; em contrapartida, as "expressões pobres" que correspondem aos "mercados pobres" encontram-se em grande dificuldade. As músicas, mesmo a "savantizada" ocidental,  respondem hoje, quando se trata, não da performance pública, mas da sua reprodução sonora, às normas dos "mercados pobres" ou da reprodução do número de peças disponíveis segundo o custo marginal de produção; estes mercados dependem do número de vendas e do custo marginal; as músicas clássicas e modernas ou contemporâneas, todas sabidamente "savantizadas", sofrem da ignorância das populações, do desinteresse geral, à parte qualquer iniciativa que, na Europa, ainda tenha alguma protecção e resposta, mas que no mundo das grandes populações não se verifica nem interessa, apesar da difusão da noção de cultura industrial que abrange igualmente as músicas "savantizadas" e as músicas contemporâneas.
A relação com as Musas, que é aqui proposta por Agamben, em confronto com as dificuldades de difusão das músicas não "cattive" não resolve nem o problema da génese das músicas autónomas - que não o seriam por estarem "captivadas" pelas Musas e pelo mitológico que se esconde atrás das Musas - nem o problema da sobrevivência do expressivo autóctone e exacto; o problema situa-se fora da concepção da passagem autoritária das Musas para os "artistas", e põe-se em confronto com o problema do expressivo e da realização social do expressivo sem que se entre na educação pela música ou pela politização pela "musica non cattiva". Não é a ausência das Musas que faz com que as músicas não sejam recebidas; as músicas contemporâneas não se resolvem pelas Musas, pela influência "musaica". Longe delas está o problema da presença "original" (originel) do "musaico". As músicas que pretendem à autonomia apresentam-se como um conflito entre os códigos de modo a alargar a competência das linguagens até aos limites do possível e do "desvio" das linguagens em relação ao código das linguagens de "contrato". Este sintoma fundamental esteve sempre presente desde que as expressões saíram da liturgia e da presença divina constante e justificativa da totalidade do plano humano - incluindo as expressões artísticas, ou melhor, o plano compulsivo que intitulava as expressões artísticas como as transmissoras da divindade, do sublime e do grandioso que a figura litúrgica do deus único representava; esta divindade está ofuscada, se bem que os mercados a proponham eternamente, como um elemento de estabilização do que é o sagrado e o valor artístico que se baseia ainda nos valores do sagrado. É a aproximação das expressões através da "savantização" que permitiu a interferência e a presença do litúrgico, do religioso nas artes "savantizadas", durante séculos - as expressões tradicionais referiam-se a mitos, a endeusamentos, a deuses, a superstições... não estavam nem estão isentas de "calcificações religiosas", apesar de uma parte delas nada ter a ver com o religioso.
Diz noutra passagem Agamben: "Walter Otto ha, d'altra parte, giustamente osservato che "la voce che precede la parola umana appartiene all'essere stesso delle cose, come una rivelazione divina che lo lascia venire alla luce nella sua essenza e nella sua gloria", p.144, citação da obra de Walter Otto, "Die Musen und der göttliche Ursprung des Singens und Sagens, 1954. Acrescenta Agamben a seguir, na mesma página: "La parola che la Musa dona al poeta proviene dalle cose stesse e la Musa non è, in questo senso, che il dischiudersi (abrir-se) e il comunicarsi dell'essere. [...] Risalendo fino al principio musaico della parola, il filosofo deve, cioè, misurarsi non soltando con qualcosa di linguistico, ma anche e innanzitutto con l'essere stesso cha la parola rivela". A palavra está impregnada de divindade e de registos que a colocam no mito como origem dela. Não creio que seja uma argumentação válida para criar disposições que sustentem as expressões autónomas. 
Agamben acrescenta, ressalvando as contradições, ou afirmando-as mais fortemente: "Il pensiero è, infatti, la dimensione che si apre quando, risalendo al di là dell'ispirazione musaica che non gli permette di conoscere ciò che dice, l'uomo diventa in qualche modo auctor, cioè garante e testimone delle proprie parole e delle proprie azioni.", p.143. A inspiração musaica não lhe permite de conhecer o que diz (!)... Mas pode muito bem re-conhecer o que diz e que está depositado no seu cérebro como um vocabulário que o constitui, certo, à maneira de Heidegger - por ter sido um aprendiz da linguagem desde a nascença -, mas que ele próprio domina e quer, por vontade própria, elaborar de um certo modo expressivo; isto no que diz respeito à linguagem que se serve do código linguístico no modo artistico-expressivo e não como se se tratasse de uma linguagem de "contrato", aquela que dá origem a um interlocutor e que tem por finalidade a compreensão de qualquer tipo de sugestão, chamemos-lhe lógica e compreensiva, de modo a que se realize um "contrato" relacional; não é só ao "contrato jurídico" que faço referência; a linguagem de "contrato" é a que se define pela sua relação a um fim autotélico, se bem que a utilização do código linguístico, na presença da literatura, tenha também uma finalidade: a de alargar o código a outra disposição e a uma outra disponibilidade que vá além do uso da compreensão contratual. 
Um dos problemas do uso quotidiano da língua é a sua redução a um soi-disant indispensável que dá à linguagem o seu valor mínimo, como se a estrutura cerebral não pudesse servir-se da linguagem senão reduzida à sua expressão (!?) mais simples. Os cérebros praticam uma linguagem quotidiana - já nem falo na linguagem ficcional - que merece uma atenção redobrada; o cérebro desenvolve-se com o uso do léxico: é neste sentido que interpreto uma parte da noção de Heidegger de como a linguagem faz o ser, determina o ser; se o faz é por ser elaborada pelo ser que a põe em uso e que o define pelo uso e pela abertura que faz da linguagem, escrita ou oral. A língua é um património colectivo que se obtém falando ou escrevendo o que ela representa; é na divulgação própria da língua que o indivíduo se individualiza e toma consciência de quanto difícil é exprimir-se na sociedade complexificada de hoje; antes de falar segundo uma lei deve tentar-se entender o que se passa em todos os planos sociais, se aí se chegar. A linguagem literária tem (também) uma tendência a reflectir o estado geral do social linguístico, tendo abandonado a sua qualidade lexical; não falo da retórica linguística e do abandono, pelas expressões modernas, do que a retórica se servia e que nada tem a ver com o uso alargado do léxico e do compreensivo que uma língua possui. O trabalho cerebral é: quanto mais se analisa a questão do que é falar-escrever (duas funções muito diversas, linguistica e sintaxicamente falando-escrevendo) mais se desenvolve a capacidade de pensar e de pensar-se a língua... e o ser na sua relação ao social e, se assim o procurar, na sua relação com o ficcional-literário, que se desenvolve a partir do uso alargado do linguístico, levando-o, se possível - e é só na categoria do possível e com esta pretensão que o ficcional-literário aparece, e que o "artístico" aparece - ao seu afastamento da linguagem quotidiana e à controvérsia sobre o uso compreensivo da língua, seja qual for o sistema de análise da compreensão da língua; só com esta pretensão se organiza o posicionamento do agente expressivo que utilize o código literário ou outros códigos expressivos. Esta condição e a actual e preocupante situação da prática da língua não está presente no texto global do livro citado de Agamben, apesar de ler-se a preocupação do que é filosofar na época de hoje e como a filosofia está ligada à "música suprema", e as duas, a filosofia e a música, às Musas: "La filosofia è, cioè, proemio, non a un altro discorso più filosofico, ma, per così dire, al linguaggio stesso e alla sua inadeguatezza. Ma, proprio per questo - in quanto, cioè, esso dispone di una consistenze linguistica propria, che è quella proemiale - il discorso filosofico non è un discorso mistico, che, contro il linguaggio, prenda partito per l'ineffabile. La filosofia è, cioè, quel discorso che si limita a far da proemio al discorso non filosofico, mostrandone l'insufficienza.", p.129. A linguagem, filosófica ou não, está na mão e nas proporções do publicitário; a linguagem é um veículo da economia negativa do ser, é a participação ao indiferente que leva ao trabalho irreflectido das populações em geral; é sobre elas que cai o trágico da situação linguística, sendo, neste caso, o linguístico referente ao uso de todos os códigos, expressivos ou não; só o quadro e a solução tecnológica do vocabulário das sociedades ditas economicamente avançadas e desenvolvidas é que desenvolve um vocabulário apropriado sem que, no entanto, esse vocabulário esteja em contacto com os outros códigos, sociais ou expressivos, sobretudo os expressivos, o que faz com que os indivíduos altamente qualificados ao nível tecnológico não o sejam ao nível expressivo. Nas sociedades que não tiveram nem têm capacidade para resolver os problemas tecnológicos que hoje se desenvolveram e que são necessários à sobrevivência, o problema da expressão atinge situações de "non-retour" igual ao das sociedades massificadas e de grandes populações, onde a expressividade e o seu aspecto autónomo do que é a necessidade expressiva de um indivíduo está reduzida aos mínimos interesses, e quando esses mínimos interesses estão na mão das indústrias da cultura, termo global que nada significa senão for analisado e compreendido.           
À suivre.     

dimanche 15 octobre 2017

Para os leitores

O último livro

          S.T. 
Teatro negativo
Ich habe genug

encontra-se à venda na livraria "Pó dos Livros", na Avenida Duque d'Ávila, em Lisboa, na livraria "Letra Livre", na Calçada do Combro, em Lisboa, e em Évora, na livraria "Fonte de Letras".

dimanche 9 juillet 2017

Índice dos artigos do blog subordinados ao título "O uso da língua e a sua relação com os leitores"


Sôbolos Rios que Vão - António Lobo Antunes – Publicações Dom Quixote, 2010 - O uso da língua e a sua relação aos leitores 1

"Adoecer" - Hélia Correia - O uso da língua e a sua relação aos leitores, 2

A Cidade de Ulisses – Teolinda Gersão – O uso da língua e a sua relação aos leitores 3

Uma Viagem à Índia - Gonçalo M. Tavares - O uso da língua e a sua relação aos leitores 4

O Porco de Erimanto - A. M. Pires Cabral - O uso da língua e a sua relação aos leitores 5

O Neo-realismo - O uso da língua e a sua relação aos leitores 6 - Cf. notícia sobre "O Porco de Erimanto", por A. M. Pires Cabral

Tutta la Vita - Alberto Savinio - O uso da língua e a sua relação aos leitores 7

Mário Cláudio e o prémio Nobel - O uso da língua e a sua relação aos leitores 8

João Tordo e Ricardo Dias Felner – Declarações ao "Jornal de Letras" - O uso da língua e a sua relação aos leitores 9

O Filho da Mãe - Bernardo Carvalho - O uso da língua e a sua relação aos leitores 10

A literatura "útil" - O uso da língua e a sua relação aos leitores – 11

O Homem do Turbante Verde - Mário de Carvalho - O uso da língua e a sua relação aos leitores 12

O Retorno - Dulce Maria Cardoso – Tinta da China Edições, 2011 - O uso da língua e a sua relação aos leitores 13

O Ritual – O uso da língua e a sua relação aos leitores 14

John R. Searle e as expressões artísticas literárias – O uso da língua e a sua relação aos leitores 15

Pedro Tamen e Tomas Tranströmer – O uso da língua e a sua relação aos leitores 16

Comissão das Lágrimas – António Lobo Antunes – O uso da língua e a sua relação aos leitores 17

Quando o Diabo Reza – Mário de Carvalho – O uso da língua e a sua relação aos leitores 18

62 / Modelo para armar – Julio Cortázar – O uso da língua e a sua relação aos leitores 19.

Harold Bloom – Algumas noções sobre Bloom e o cânone ocidental – O uso da língua e a sua relação aos leitores 20.

"José e Pilar" – DVD - Filme realizado por Miguel Gonçalves Mendes.
O uso da língua e a sua relação aos leitores 21

Sebastianismo e Quinto Império - Fernando Pessoa. Edições Ática, suponho 2012 (sem data) – O uso da língua e a sua relação aos leitores 22.

As literaturas como sintomas dos sistemas e sub-sistemas sociais - O uso da língua e a sua relação aos leitores 23

O Murmúrio do Mundo - A Índia Revisitada - Almeida Faria - Tinta-da-China Edições, 2012 - O uso da língua e a sua relação aos leitores 24

A representação do banal - Nature Theater of Oklahoma - Life and Times - Episode 2 - De Singel, Antwerpen, 16 de Março, 2012 - O uso da língua e a sua relação aos leitores 25

O realismo e a estética do Belo – A literatura e a pintura realistas – O uso da língua e a sua relação aos leitores 26

Mario Vargas Llosa e o romance que conta "histórias" – A propósito do posfácio de Mario Vargas Llosa ao livro de Rubem Fonseca, "A grande arte". O uso da língua e a sua relação aos leitores 27

A relação entre literatura profissional e literatura "artista". O que se entende por literatura "útil" – O uso da língua e a sua relação aos leitores 29

A literatura sempre contemporânea? Uma leitura de "The Use and Abuse of Literature", por Marjorie Garber, Anchor Books, 2012, primeira edição de 2011. O uso da língua e a sua relação aos leitores 30.

Uma conversa "doméstica" no Câmara Clara de 19 de Fevereiro de 2012. (Título provisório). O uso da língua e a sua relação aos leitores 31.

A função da língua no romance histórico – O uso da língua e a sua relação aos leitores 32.

Winterreise – Elfriede Jelinek - Éditions du Seuil, 2012 – O uso da língua e a sua relação aos leitores 33

O escritor autónomo não pede a colaboração do leitor – O uso da língua e a sua relação aos leitores 34

A literatura profissional – A narrativa de língua inglesa – O uso da língua e a sua relação aos leitores 35

O Bom Inverno – João Tordo – Publicações Dom Quixote, 2012 - Análise de um livro – O uso da língua e a sua relação aos leitores 36

Um Arco Singular – O Livro das Horas II – Maria Gabriela Llansol – O uso da língua e a sua relação aos leitores 37

Barro – Rui Nunes – Relógio d’Água, 2012 - O uso da língua e a sua relação aos leitores 39

Io sono il Libanese – Giancarlo de Cataldo - Einaudi, 2012 – O uso da língua e a sua relação aos leitores 40

L'Innocente – Gabriele D'Annunzio – Nexton Compton Editori, 2011 – O uso da língua e a sua relação aos leitores 41.

Restoroute – Animaux – Elfriede Jelinek – Verdier, 2012 – O uso da língua e a sua relação aos leitores 42

Prosa de Álvaro de Campos – Fernando Pessoa – Edições Ática, 2012 – O uso da língua e a sua relação aos leitores 43

As estéticas e o actual – O uso da língua e a sua relação aos leitores 44

Hélène Cixous - Double Oubli de l'Orang-Outang - A página 129 – O uso da língua e a sua relação aos leitores 45

Moi, Eugénie Grandet - Louise Bourgeois - Le Promeneur, Éditions Gallimard, 2010 - O uso da língua e a sua relação aos leitores 46

A Visit from the Goon Squad - Jennifer Egan - Constable & Robinson Ltd, 2011 - O uso da língua e a sua relação aos leitores 47

Não é Meia Noite Quem Quer - António Lobo Antunes - Publicações Dom Quixote, 2012 - O uso da língua e a sua relação aos leitores 48

O Varandim seguido de Ocaso em Carvangel - Mário de Carvalho - Porto Editora, 2012 - O uso da língua e a sua relação aos leitores 49

A escrita e a narração - O uso da língua e a sua relação aos leitores 50

A escrita e o mental - O uso da língua e a sua relação aos leitores 51

Wuthering Heights – Emily Brontë – O uso da língua e a sua relação aos leitores 52

Objecto Quase - José Saramago - Editorial Caminho, 1978 - A ficção é administração, a ficção fixa a administração no duplo sentido de ser administração e de reduzir-se à administração - O uso da língua e a sua relação aos leitores 53

O Lago - Ana Teresa Pereira - Relógio d'Água - 2011 - O uso da língua e a sua relação aos leitores 54

Nati due volte - Giuseppe Pontiggia, 2000 - Oscar Mondadori - A função "útil" na literatura - O uso da língua e a sua relação aos leitores 55

Le Silence - Nathalie Sarraute - 1964 - Folio Théâtre, 1998 - O uso da língua e a sua relação aos leitores 56

Le Mensonge - Nathalie Sarraute - 1966 - Folio Théâtre, 2005 - O uso da língua e a sua relação aos leitores 57

Isma ou ce qui s'appelle rien - Nathalie Sarraute - 1970 - Folio Théâtre, 2007 - O uso da língua e a sua relação aos leitores 58

C'est beau - Nathalie Sarraute - 1972 - Folio Théâtre, 2000 - O uso da língua e a sua relação aos leitores 59

Elle est là - Nathalie Sarraute - 1978 - Folio Théâtre, 2000 - O uso da língua e a sua relação aos leitores 60

Pour un oui ou pour un non - Nathalie Sarraute - 1982 - Folio Théâtre, 1999 - O uso da língua e a sua relação aos leitores 61

L'usage de la parole - Nathalie Sarraute - 1980 - Folio, 2012 - O uso da língua e a sua relação aos leitores 62

Quando os lobos uivam - Aquilino Ribeiro - 1958 - Livraria Bertrand, 1979 - O uso da língua e a sua relação aos leitores 63

Ibéria - Introdução a um imperialismo futuro - Fernando Pessoa - Ática - 2012 - Edição de Jerónimo Pizarro e de Pablo Javier Pérez López - O uso da língua e a sua relação aos leitores 64

L'oeuvre d'art à l'époque de sa reproduction mécanisée - Walter Benjamin - 1936 - Écrits français - Gallimard, 1991 - Comentários ao texto de Walter Benjamin - O uso da língua e a sua relação aos leitores 65

Servidões - Herberto Helder - Assírio & Alvim, 2013 - O uso da língua e a sua relação aos leitores 66.

Associações secretas e outros escritos - Fernando Pessoa - Ática, 2011 - O uso da língua e a sua relação aos leitores 67

Argumentos para filmes - Fernando Pessoa - Ática, 2011 - O uso da língua e a sua relação aos leitores 68

Conhecimento do inferno - António Lobo Antunes - Publicações Dom Quixote, 1999 - O uso da língua e a sua relação aos leitores 69

Resistere non serve a niente - Walter Siti - Rizzoli, 2012 – A noção de realismo industrializado - O uso da língua e a sua relação aos leitores 70

Resistere non serve a niente – Walter Siti – Rizzoli 2012 - La nozione di realismo postindustrializzato –– L'uso della lingua e la sua relazione con i lettori 70. Versione italiana.

A literatura útil como teoria da literatura industrializada ou pós-industrializada - Definição progressiva - O uso da língua e a sua relação aos leitores 71

Giallo d’ Avola - Paolo di Stefano - Selerio Editore, 2013 – O realismo descritivo - O uso da língua e a sua relação aos leitores 72

Locus Solus – Raymond Roussel – GF Flammarion, 2005 - O uso da língua e a sua relação aos leitores 73

A liberdade de pátio - Mário de Carvalho - Porto Editora, 2013 - O uso da língua e a sua relação aos leitores 74

A literatura "pós-industrial" e de intervenção do "investimento financeiro" - O artigo de Clara Ferreira Alves sobre "O homem de Constantinopla, por José Rodrigues dos Santos - Gradiva, 2013 - O uso da língua e a sua relação aos leitores 75

Divina Commedia - Dante - Reflexões sobre o cânone, Harold Bloom e a literatura secular - O uso da língua e a sua relação aos leitores 76

O teu rosto será o último - João Ricardo Pedro - Leya, 2012 - O uso da língua e a sua relação aos leitores 77

O físico prodigioso - Jorge de Sena - Guimarães - Babel, 2010 - Os Grão-Capitães - Jorge de Sena - Edições Asa, 2007 - O uso da língua e a sua relação aos leitores 78

Peregrinatio ad loca infecta - 70 poemas e um epílogo - Jorge de Sena - Portugália Editora, 1969 - O uso da lingua e a sua relação aos leitores 79

Les morts restent jeunes, Tome I – La révolution confisquée – Tome II - La mise au pas - Anna Seghers, 1949 – Éditions Autrement, 1995 - e "Per Isabel - Un Mandala", Antonio Tabucchi, Feltrinelli, 2013 - O uso da língua e a sua relação aos leitores 80

O que é o sentido literário, a leitura ficcional dos "actos de linguagem" - O uso da língua e a sua relação aos leitores 81

Fausto - Fernando Pessoa - Edição de Teresa Sobral Cunha - Relógio d'Água, 2013 - O uso da língua e a sua relação aos leitores 82

Correspondência - Agustina-Régio (1955-1968) - Agustina Bessa-Luís - Guimarães - Babel, 2014 - O uso da língua e a sua relação aos leitores 83

Le fil perdu - Essais sur la fiction moderne - Jacques Rancière - La Fabrique Éditions, 2014 – Algumas considerações - O uso da língua e a sua relação aos leitores 84

Casas pardas - Maria Velho da Costa - Moraes Editores, 2a edição, 1979 - Releitura - Algumas questões - O uso da língua e a sua relação aos leitores 85

Il desiderio di essere come TUTTI - Francesco Piccolo - Einaudi, 2013 - Aspectos do jornalismo ficcional / Gli anni fra cane e lupo - 1969-1994 - Il racconto dell'Italia ferita a morte - Rosetta Loy - Chiarelettere, 2013 - O uso da língua e a sua relação aos leitores 86

A morte sem mestre - Herberto Helder - Porto Editora, 2014 - O uso da língua e a sua relação aos leitores 87

Literatura, regimes da verdade e cibercultura - Suplemento de Colóquio/Letras, Lisboa Maio/Agosto 2014 - Manuel Frias Martins – O uso da língua e a sua relação aos leitores 88.

A grande arte – Rubem Fonseca, 1983 – Sextante Editora, 2012 , e Nemesi – Jo Nesbø, 2002 – Pickwick, 2013. Tradução italiana. Tradutor não citado. O uso da língua e a sua relação aos leitores 89.

Elogio do inacabado - Agustina Bessa-Luís - Fundação Calouste Gulbenkian, 2014 - O uso da língua e a sua relação aos leitores 90

Sweet tooth - Ian McEwan - Jonathan Cape, 2012 -  The Children Act - Ian McEwan - Jonathan Cape, 2014 - O uso da língua e a sua relação aos leitores 91

O funcionamento ficcional de uma língua dominada – O uso da língua e a sua relação aos leitores 92

Caminho como uma casa em chamas - António Lobo Antunes – Publicações Dom Quixote, 2014 - Primeira fase da análise de "Caminho como uma casa em chamas" - O uso da língua e a sua relação aos leitores 93

Os "actos de linguagem" são signos do mental do escritor - O uso da língua e a sua relação aos leitores 94

Os Incuráveis - Agustina Bessa-Luís - Guimarães e C.ᵃ Editores, 1982 - O uso da língua e a sua relação aos leitores 95

Conversações com Dmitri e outras fantasias – Agustina Bessa-Luís – Relógio d’Água, 1992 – O uso da língua e a sua relação aos leitores 96

Não há mais literatura portuguesa inscrita na sequência histórica da língua literária portuguesa; há literatura em português sem ligação histórica ao passado literário, mesmo recente - O uso da língua e a sua relação aos leitores 97

Humildade gloriosa - Aquilino Ribeiro - Bertrand Editora, 1985 - O uso da língua e a sua relação aos leitores 98

(ou, transigindo, de que lado passarás a morrer, a clarear?) - Rui Nunes, Língua Morta, 2014 - O uso da língua e a sua relação aos leitores 99 

Nocturno Europeu - Rui Nunes - Relógio d'Água, 2014 - O uso da língua e a sua relação aos leitores 100

Uma aventura secreta do Marquês de Bradomín - Teresa Veiga - Edições Cotovia, 2008 - O uso da língua e a sua relação aos leitores 101 

Gente melancolicamente louca - Teresa Veiga - Edições tinta-da-china, 2015 - O uso da língua e a sua relação aos leitores 102

Contos exemplares - Sophia de Mello Breyner Andresen - Assírio & Alvim, 2014 - O uso da língua e a sua relação aos leitores 103 

Onde vais, drama-poesia? - Maria Gabriela Llansol - Relógio d'Água, 2000 - O uso da língua e a sua relação aos leitores 104

L'écriture du désastre - Maurice Blanchot - Gallimard, 1980 - O uso da língua e a sua relação aos leitores 105

O comum dos mortais - Agustina Bessa-Luís - Guimarães Editores, 1998 - O uso da língua e a sua relação aos leitores 106 

L’amica geniale – Volume primo - Elena Ferrante – Edizioni E/O, 2011 – O uso da língua e a sua relação aos leitores 107

Impunidade - H. G. Cancela - Relógio d'Água, 2014 - O uso da língua e a sua relação aos leitores 108 

Retrato de rapaz - Um discípulo no estúdio de Leonardo da Vinci - Mário Cláudio - D. Quixote, 2014 - O uso da língua e a sua relação com os leitores 109

A situação actual dos mercados das literaturas - O uso da língua e a sua relação com os leitores 110

Uma menina está perdida no seu século à procura do pai - Gonçalo M. Tavares - Porto Editora, 2014 - O uso da língua e a sua relação com os leitores 111

Da Natureza dos Deuses - António Lobo Antunes - Dom Quixote, 2015 - En la orilla - Rafael Chirbes - Anagrama, 2013 - O uso da língua e a sua relação com os leitores 112

A crítica das expressões artísticas – O uso da língua e a sua relação com os leitores 113

As areias do Imperador - Uma trilogia moçambicana - Livro um. Mulheres de cinza - Mia Couto - Caminho, 2015 - O uso da língua e a sua relação com os leitores 114

L'histoire est une littérature contemporaine - Manifeste pour les sciences sociales - Ivan Jablonka - Éditions du Seuil, 2014 – Comentários - O uso da língua e a sua relação com os leitores 115

Obra poética - Sophia de Mello Breyner Andresen - Editorial Caminho, 2011 - O uso da língua e a sua relação com os leitores 116

Era uma vez em Goa - Paulo Varela Gomes - Tinta-da-china Edições, 2015 - Je m'en vais - Jean Echenoz - Les Éditions de Minuit, 1999/2001 - O uso da língua e a sua relação com os leitores 117

Para sempre - Vergílio Ferreira - Bertrand Editora, 2005 - O uso da língua e a sua relação com os leitores 118

Non luogo a procedere - Claudio Magris - Garzanti, 2015 - A situação actual das culturas de referência ontológica - O uso da língua e a sua relação com os leitores 119

Embaixada a Calígula - Agustina Bessa-Luís, 1960 - Guimarães Editores, 2009 - O uso da língua e a sua relação com os leitores 120 

Os códigos expressivos e o conhecimento deles - O uso da língua e a sua relação com os leitores 121

O Manto - Agustina Bessa-Luís - Guimarães, 2016 - O uso da língua e a sua relação com os leitores 122


Appendice - La musica suprema. Musica e politica - Apêndice da obra "Che cos'è la filosofia", Giorgio Agamben - Quodlibet, 2016 - A territorialidade da música (das músicas) e a sua função política - O uso da língua e a sua relação com os leitores 123


Promessa - Vergílio Ferreira - Quetzal Editores, 2010 - O uso da língua e a sua relação com os leitores 124

Nítido nulo - Vergílio Ferreira - Quetzal Editores, 2012 - O uso da língua e a sua relação aos leitores - 125

Ronda das mil belas em frol - Mário de Carvalho - Porto Editora, 2016 - O uso da língua e a sua relação com os leitores 126

Le sillon du poème - En lisant Philippe Beck - Jacques Rancière - NOUS, 2016 - O uso da língua e a sua relação com os leitores 127 

Antes do degelo - Agustina Bessa-Luís - Guimarães Editores, 2004 - O uso da língua e a sua relação com os leitores 128 

Para aquela que está sentada no escuro à minha espera - António Lobo Antunes - Publicações D. Quixote, 2016 - O uso da língua e a sua relação com os leitores 129

Algumas reflexões sobre a ideia de "literaturalidades" – O uso da língua e a sua relação com os leitores 130 

As soi-disant vantagens da crítica exercida fora das fronteiras - O uso da língua e a sua relação com os leitores 131 

Quem atribui arte à arte são os autores - O uso da língua e a sua relação com os leitores de códigos, entenda-se de todos os códigos 132 

O poético – A partir da obra de Philippe Beck - O uso da língua e a sua relação com os leitores 133 A influência da literatura conservadora intransigente. A presença dos mercados - O uso da língua e a sua relação com os leitores 134 

O útil e a visibilidade do útil nas expressões - O uso da língua e a sua relação com os leitores 135 

crítica que elogia, do elogio - O uso da língua e a sua relação com os leitores 136

Uma oralidade - Questões à volta das deficiências literárias ficcionais - O uso da língua e a sua relação com os leitores 137


A palavra usual de comunicação pratica-se no presente da comunicação – O uso da língua e a sua relação com os leitores 138


Contra todas as evidências – Poemas reunidos I – Manuel Gusmão - Edições Àvante!, 2013 - A poesia que se intitula poética – O uso da língua e a sua relação com os leitores 139


Lisboaleipzig 1 - O encontro inesperado do diverso - Maria Gabriela Llansol - Rolim, 1994 - O uso da língua e a sua relação com os leitores 140


Lisboaleipzig 2 - O ensaio de música - Maria Gabriela Llansol - Rolim, 1994 - O uso da língua e a sua relação com os leitores 141

A elaboração do ficcional - O uso da língua e a sua relação com os leitores 142

O dia dos prodígios - Lídia Jorge - Publicações Europa-América, 1980 - O uso da língua e a sua relação com os leitores 143

A Mulher-Sem-Cabeça e o Homem-do-Mau-Olhado - Mitologias - Gonçalo M. Tavares - Bertrand Editora, 2017 - O uso da língua e a sua relação com os leitores 144


O lago avesso - Joana Bértholo - Caminho, 2013 - e - Norma - Sofi Oksanen - Stock, la cosmopolite, 2017, tradução de Sébastien Cagnoli - O uso da língua e a sua relação com os leitores 145

Bibliografia de Alberto Velho Nogueira

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